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Fraternidade Monástica do

Monte Tabor e dos

Santos Antão e Paulo Eremita

Fraternidad Monástica del Monte Tabor, de Santo Antón y de San Pablo Ermitaño

Monastic Fraternity of Mount Tabor, of the Saint Anthony of Egypt and of the Saint Paul the First Hermit

Fraternité Monastique du Mont Thabor, de Saint Antoine d’Égypte et de Saint Paul Ermite 

 

Uma proposta monástica.

 

 

 

 

Antecedentes

 

 

 

A partir século III surgiram na Igreja homens e mulheres que, respondendo com fidelidade à voz de Deus, seguiram a Cristo, na vida monástica – Santo(a): Sinclética, Antão (também designado por Santo António do Egipto ou Santo António Abade), Hilarião, Macário do Egipto, Teodora, Arsénio, João, entre muitos mais. Uns partem para o deserto, outros porém procuram locais ermos não demasiado afastados das povoações. Em comum, a mesma pretensão: simplesmente retirar-se para buscar e louvar a Deus. Como «vasos», de louvor e de intercessão, a exalar continuamente suave fragrância, o fogo do amor de Deus neles acendido desbordava para abarcar a toda a Criação.

 

Santo Antão

É conhecido como o «pai dos monges». Embora já existissem anteriormente anciãos monges, porém, foi com Santo Antão que ocorreu a primeira grande expansão da vida monástica cristã, não somente no Oriente mas também no Ocidente.

Antão nasceu no Egipto. Quando tinha cerca de vinte anos, um dia enquanto se dirigia para uma igreja, ia reflectindo sobre a vida dos Apóstolos, em como deixaram tudo para seguir a Jesus. Ao entrar na igreja local, acontece precisamente naquele momento estar a ser proclamado o trecho do Evangelho: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possuíres, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-Me»(Mt 19,21). Antão ao ser ‘atingido’ por estas Palavras vê uma interpelação pessoal e directa do Senhor. Depois de vender os bens que possuía, distribuiu parte dos lucros pelos pobres; guardou somente a restante parte para o sustento da sua única irmã, mais jovem, que estava igualmente órfã à já alguns meses e pela qual era responsável. Posteriormente num outro dia ao entrar na igreja novamente o Senhor o ‘atinge’, ao escutar o trecho do Evangelho «Não vos inquieteis, portanto, com o dia de amanhã» (Mt 6,34). Antão responde com fidelidade. Depois de entregar a sua irmã aos cuidados de mulheres piedosas também consagradas, desprende-se de tudo o que tinha consigo e inicia a vida de monge eremita sob a orientação de um ancião, monge, que nas proximidades da povoação levava também vida eremítica. A partir daqui faz todo um percurso interior. Sentindo um forte chamamento de Deus ao deserto e movido por um zelo em servi-lO, Antão, em obediência fiel à «voz» de Deus vai cada vez mais pelo deserto dentro. Um familiar lhe leva periodicamente o sustento necessário para o dia-a-dia. Depois de passados perto de uns vinte anos no deserto, alguns dos seus amigos desejando vê-lo, forçaram a porta do local onde se encontrava, derrubando-a; quando o viram ficaram estupefactos: apesar das suas austeridades não encontraram nele marcas de corpo macilento; conservava a antiga aparência, e todo transpirava serenidade e íntima pureza. É por esta altura que Antão começa a ajudar a muitos jovens e a outros menos jovens que desejam imitá-lo e segui-lo no seu caminho de oração. Muitas pessoas das povoações vizinhas também o buscam, ouvindo falar dos prodígios operados por sua intercessão; … . E assim na montanha ao seu redor foram aparecendo abundantes células monásticas.

Deste modo nascem as primeiras Colónias Monásticas, porém será com os seus filhos espirituais e alguns outros monges seus conterrâneos que receberam também os seus ensinamentos e conselhos, com os quais depois ocorrerá maior desenvolvimento neste novo género de vida monástica.

 

Quando Antão tinha noventa anos, Deus revelou-lhe que havia no deserto outro monge mais antigo e mais santo do que ele; e encarregou-o de ir visitá-lo. Antão empreendeu a viagem; depois de várias horas de caminhada logrou encontrar Paulo Eremita. No dia seguinte a este primeiro encontro, após Paulo anunciar que sentia aproximar-se a morte, regressou à sua célula monástica em busca de um manto que o Rev.mo Bispo Atanásio de Alexandria lhe havia dado; Paulo tinha-lho pedido, desejando que servisse de mortalha ao seu corpo. No outro dia de manhã, pegou no manto e saiu a toda a pressa. Durante o percurso viu a alma de Paulo a subir ao céu toda resplandecente no meio dos Anjos, dos Apóstolos e dos Profetas. Quando chegou, encontrou-o falecido; envolveu o corpo no manto que trouxera consigo e sepultou-o junto do mesmo local onde vivera. Antão ficou com a túnica de Paulo tecida com folhas de palmeira, e daí em diante, só a usava nas Solenidades de Páscoa e Pentecostes.

 

 

Ao longo dos tempos muitas pessoas têm sido tocadas pelo fascínio de Deus, e O têm servido na vida monástica num amor indiviso a Deus e ao próximo. Também hoje Deus continua a chamar a uma consagração na vida monástica.

 

 

 

 

A Colónia Monástica

 

 

 

A Fraternidade Monástica do Monte Tabor, de Santo Antão e de São Paulo Primeiro Eremita, de cariz puramente contemplativo, sem apostolado exterior, recebe o nome de «Monte Tabor», no qual segundo a tradição ocorreu a Transfiguração de Jesus. Nas linhas seguintes, com a exposição de vários pormenores contidos nesta designação poderá conhecer melhor o carisma da Fraternidade Monástica.

 

Segundo o Evangelho segundo São Lucas (Lc 9,28-36), Jesus levando Consigo um pequeno grupo de entre os Seus discípulos, apenas:

«Pedro, João e Tiago subiu ao monte para orar. Enquanto orava o aspecto do seu rosto modificou-se, e as vestes tornaram-se-Lhe de uma brancura fulgurante.»

Jesus conduziu Pedro, João e Tiago ao deserto do monte para orar. Também o monge desta Fraternidade homem de oração é chamado ao deserto. Chamado a permanecer nele como hóstia de louvor; a contemplar, como Maria (irmã de Marta) que se «sentara aos pés do Senhor e escutava a Sua palavra» (Lc 10,39-42); a subir o monte da «intimidade divina»; a reproduzir com fidelidade a imagem de Deus.

«E dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da Sua morte, que ia dar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando eles iam a separar-se de Jesus, Pedro disse-Lhe: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto dizia isto, surgiu uma nuvem que os cobriu e, quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados. E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o Meu Filho predilecto, escutai-O».»

A escuta e a meditação da Palavra de Deus no Antigo e Novo Testamento, aqui representados neste trecho do Evangelho em Jesus, Moisés e Elias, de modo particular no exercício da «Lectio divina», como a Santíssima Virgem Maria, que «conservava todas as coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2,19), é no dia-a-dia do monge um dos actos importantes para que se vá transformando cada dia mais nAquele que é «a imagem visível do Deus invisível» (Cl 1,15). As palavras «tendas» e «nuvem» (que na linguagem bíblica simboliza a glória de Deus ou a sua presença no tabernáculo) as quais lembram o êxodo do povo israelita do Egipto para a Terra Prometida, recorda ao monge desta Fraternidade a sua condição de peregrino na terra. O despertar de Pedro e dos companheiros que «estavam a cair de sono» recorda-nos o dever de estar vigilante, de caminhar cada dia com sobriedade e discrição, com o olhar fixo em Cristo.

«E, quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, nada contaram a ninguém do que tinham visto.»

O monge desta Fraternidade, pregando não por palavras mas pelo seu testemunho de vida escondida com Cristo em Deus, deve no dia-a-dia, com zelo, guardar o silêncio; não um silêncio qualquer, mas sim um «silêncio monástico», necessário para crescer na união com Deus.

Segundo o evangelista São Lucas (Lc 9,37), Jesus e os discípulos que levara Consigo «No dia seguinte, ao descerem do monte, veio-lhes ao encontro uma grande multidão.». É próprio do monge orar pelas pessoas que o procuram em busca das suas orações; do mesmo modo também o faziam os nossos Santos Padres e Madres do Deserto. Na consagração a Deus na vida monástica puramente contemplativa, a qual é também doação aos homens e mulheres nossos irmãos, o monge, correspondendo com fidelidade ao amor de Deus faz da sua vida uma entrega absoluta ao dinamismo interior da caridade; ora e intercede pelas necessidades da Igreja e de toda a Humanidade; e junto com o seu testemunho de vida escondida com Cristo em Deus colabora na renovação e transformação da realidade concreta do mundo. Conforme as palavras de S.S. Papa João XXIII (Causa praeclara): «Na realidade, o Divino Salvador remiu a humanidade, escrava do pecado e por ele oprimida, principalmente com a oração fervorosa ao Pai e com a imolação de Si mesmo. Por isso, todo aquele que pretender imitar este aspecto especificamente interior da missão salvífica de Cristo exerce um autêntico apostolado, embora não realize qualquer actividade apostólica exterior ».

No monte da Transfiguração, Jesus Cristo que é a Luz Verdadeira (Jo 1,9), fortalece a fé dos discípulos que levara Consigo. Antes de prosseguir até Jerusalém onde consumará a Sua obra redentora Jesus prepara-os deste modo para o momento da noite, quando morrer na cruz. Neste trecho do Evangelho mostra-se ao monge de modo claro que a sua jornada na terra é um «caminhar na fé», e também um «procurar subir» cada vez mais, com a ajuda de Deus, o monte da «pureza interior e união com Deus». Conforme nos diz São João Clímaco (Escada, D. 27): «a fé é a asa da oração». Citando algumas palavras de São João da Cruz (Subida, II. 9, I): a fé é «o meio próximo e proporcionado para a alma se unir com Deus; porque é tal a semelhança entre a fé e Deus, que não há outra diferença senão Deus ser visto e acreditado»; pela fé «Deus manifesta-se à alma em divina luz que excede todo o entendimento. Portanto, quanto mais fé a alma tem, mais unida está com Deus». Uma fé viva estimula a esperança. Num outro capítulo (Escada, D. 30) São João Clímaco diz-nos: «A caridade, a impassibilidade e a adopção filial somente se distinguem pelo nome. Como a luz, o fogo e a chama concorrem a um único efeito, ocorre o mesmo com essas três realidades».

Progredindo em união com Cristo, o monge desta Fraternidade é chamado a procurar em todas as acções do dia-a-dia, a maior glória de Deus, colaborando tanto quanto for possível na obra redentora de Jesus, obra cuja morte na cruz em Jerusalém foi predita por Moisés e Elias a Pedro, João e Tiago no monte da Transfiguração.

 

A Fraternidade recebe também o nome «de Santo Antão e de São Paulo Primeiro Eremita». Na concretização prática do género de vida monástica, a Fraternidade recebe os modelos, os ensinamentos e a herança espiritual da tradição monástica primitiva, designadamente dos «Padres e Madres do Deserto»; de entre eles, Santo Antão e São Paulo Primeiro Eremita são os patronos principais da Fraternidade.

 

A jornada monástica.

 No carisma da Fraternidade o povoado implantado no «recinto monástico» é uma Colónia Monástica. O candidato que deseja integrar uma Colónia Monástica (depois do respectivo discernimento) pode seguir uma de duas vias monásticas: num dos pequenos grupos ou a anacorética. Os pequenos grupos (pequenas comunidades) são distantes entre si por algumas dezenas de metros e implantados em redor de uma Capela (a Capela principal da Colónia Monástica). Durante a semana o percurso diário do monge numa pequena comunidade concilia momentos de vida comunitária com vida solitária, elemento este, característico da tradição herdada dos Padres e Madres do Deserto. Todas as celas monásticas dos monges incluem um oratório e um pequeno jardim ou horto. A passagem de um monge de um pequeno grupo para a via monástica anacorética (com maior solidão, segundo as suas necessidades espirituais) também pode ocorrer, mas apenas após o respectivo discernimento. A formação do candidato é realizada normalmente numa pequena comunidade mas também pode ser realizada por um monge anacoreta. Em parte do dia de Sábado ou de vésperas de Solenidade, e principalmente os Domingos e as Solenidades são os dias de vida comunitária com a participação de todos os monges da Colónia Monástica (excepto eventualmente algum monge no(s) período(s) em que ocorre estar em retiro). Os momentos fortes de vida comunitária referentes aos Domingos são designadamente a participação na Eucaristia, a 1ª Vésperas, a Vigília, as Laudes e as Horas Intermédias da Liturgia das Horas, o almoço no Refeitório da Colónia, o Capítulo e o Passeio/Recreação fraterna; nas Solenidades inclui a 2ª Vésperas da Liturgia das Horas, além dos referidos anteriormente.

 

  Um equilíbrio harmonioso entre as várias partes da jornada semanal do monge na Colónia Monástica:

tempo de

– Oração pessoal, de Liturgia Eucarística e das Horas,

– Silêncio, solidão / vida em fraternidade,

– Leitura, e de modo particular a escuta e meditação da Palavra de Deus,

– Trabalho,

– Passeio / recreação fraterna

 

  é gerador do ambiente propício: para a oração incessante, para a pureza de coração, para a união com Deus. É precisamente a Caridade, princípio da união com Deus, que une intimamente todos os monges de cada pequena comunidade e de toda a Colónia Monástica e que move a orar pela salvação de todos os homens e mulheres.

 

 

«A hesiquia é um culto e uma constante presença ante Deus» – São João Clímaco

 

 

Contacto.

 Se pretenderes contactar a Fraternidade Monástica para integrar a primeira fundação ou se da vossa generosidade desejares oferecer por algum modo algum género de ajuda à Fraternidade, escreve a:

Jorge Manuel – Portugal

e-Mail: mail-j@sapo.pt

 

(A revisão da "caixa" de correio electrónico não é realizada diariamente por isso a resposta poderá demorar algum tempo.)

 

 

 

 

Alguns textos

 

 

 

em outras páginas Web

 

 

Sobre a «lectio divina»:

http://www.abandono.com/Rincones/Textos0001.htm

 

Apotegmas dos Padres do Deserto:

http://www.padrefelix.com.br/padres_des11.htm

 

Pensamentos de São João Clímaco:

http://padreisaias.blogspot.com/2010/03/30-de-marco-santo-do-dia.html

 

 

 

 

Santa Maria Mãe de Deus,

Rainha dos Monges,

rogai por nós